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Quinta-feira, Mar�o 11, 2010

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Avatar, �o cara� ou Nerso da Capitinga?

O processo pol�tico deste ano em Goi�s est� sendo hil�rio por alguns personagens que mais parecem ter sa�do de um programa humor�stico ou tiveram aula com Nerso da Capitinga. O povo goiano est� dando boas risadas com o que essas pessoas v�m fazendo em nome de uma perspectiva de poder.
Os devaneios ficaram mais eloq�entes depois do showmicio que o senador Marconi Perillo fez em comemora��o aos seus 47 anos.  O deputado estadual Jardel Sebba (PSDB), logo ap�s ter sa�do do showmicio disparou no twitter pensamentos que um homem p�blico com orgulho pr�prio nunca teria coragem de fazer, desonrando o mandato que mais de 35 mil eleitores deram pra ele em 2006.
Ou talvez, o tucano estivesse empolgado com o clima da m�sica �� o amor� de Zez� de Camargo & Luciano, por isso ele agiu de uma forma t�o humilhante para um parlamentar que foi eleito para legislar e fiscalizar o governo.  Vamos �s seguintes p�rolas: �Durma e sonhe com o Marconi�. �50 mil pessoas na festa de Marconi�. �Ele (Marconi) � o mais amado de Goi�s�. �O Alcides era um mala sem al�a o Marconi que elegeu ele�. 
Outro que vem enchendo as p�ginas do Di�rio da Manh� com uma paix�o que foge da raz�o e passa a ser motivo de chacota entre os colegas � o jornalista Al�rio Afonso. Em seu artigo �Marconi Perillo, o avatar ou o cara?�, ficou evidenciado como Al�rio fantasia coisas e escreve contos sobre a pol�tica goiana fugindo da realidade.
Em seu conto, ele afirma que uma pessoa bem vestida que estava no showmicio do senador tucano, comparou Marconi Perillo ao fen�meno hollyudiano Avatar. �Ai est� futuro de Goi�s. Digo do Brasil, porque esse jovem entusiasmado que consegue arregimentar essa multid�o de admiradores oito meses antes da elei��o de outubro ser� o pr�ximo governador de Goi�s. E far� uma administra��o revolucion�ria que o colocar� em condi��o de postular, a primazia de ser o primeiro goiano a ser presidente do Brasil�, fantasiou Al�rio em seu artigo.
Agora o mais absurdo vem a seguir �Se o Lula chegou a ser o �cara� dos governantes planet�rios, Marconi Perillo ser� o Avatar�. Tudo bem, cada doido com sua loucura, mas querer comparar a hist�ria de Lula com a de Marconi � algo totalmente fora de l�gica, basta comparar as carreiras pol�ticas dos dois, e veremos a dist�ncia.
Quanto ao showm�cio, ele n�o foi um mega evento como foi divulgado e sim uma festa normal e com a presen�a de 10 mil pessoas de acordo com a PM do estado. Mas depois de tantos deslumbramentos e devaneios sobre o showmicio do Marconi, eu achei bastante sensata a declara��o que o deputado Sandro Mabel (PR), fez ao Programa Polith�ia do �ltimo dia (7), onde o republicano que inclusive esteve presente no evento fez a seguinte avalia��o: �Olha eu fiz meu anivers�rio no final do ano passado, e estiveram presentes 7500 pessoas. E n�o tinha show do Zez� e nem �nibus buscando ningu�m!�, comentou Sandro Mabel.
Ent�o esta quest�o de festa n�o ganha elei��o, e n�o � novidade em Goi�s. Todos os anos 22 mil goianos prestigiam a festa do prefeito Iris no dia 22 dezembro em Guap�. Mesmo assim Iris j� perdeu elei��es fazendo a festa que Marconi vivia falando que era coisa de �coronel� e agora tentou fazer semelhante. Nesta semana os peemedebistas deram boas risadas com a empolga��o dos tucanos com uma festa �avatariana�. �Eles sempre sonharam em tentar fazer uma festa como a nossa, morriam de inveja e criticavam. Agora est�o nas nuvens com uma festa meia boca�, ironizou um deputado do PMDB.
Em fim Al�rio Afonso tem a ilus�o que Marconi � o novo, mas o povo sabe que o tucano n�o � novidade alguma, j� governou Goi�s por oito anos e todo mundo sabe como ele administra. Marconi era novidade em 98 quando o povo goiano realmente queria mudan�a, hoje ele � apenas mais um parlamentar tentando voltar ao Poder Executivo. Agora outra postura intrigante � como os tucanos adoram atacar o governador Alcides Rodrigues, alegando que seu governo � p�ssimo e que o governador faz um dos piores governos da hist�ria de Goi�s.
Ira tucana que leva o s�bio povo goiano fazer os seguintes questionamentos: Ser� que Marconi ao conviver com Alcides h� mais de sete anos tendo ao seu lado como vice-governador, em nem um minuto viu que Alcides n�o seria capaz de administrar Goi�s, como ele afirma? Porque Alcides era a melhor pessoa do mundo na elei��o de 2006 e agora � algoz dos tucanos? E se Alcides � mau administrador como diz o tucano, Marconi n�o teria enganado o povo goiano ao indicar, apoiar e avalizar Alcides para o governo? Ser� que Marconi esqueceu quando ele visitou todas as cidades de Goi�s, ensinando aos goianos cantarem a m�sica �Alcides � Marconi!�? E se o Alcides tivesse deixado Marconi mandar em seu governo, o discurso dos tucanos seria vingativo como � hoje?
Mas o que eu vejo no quadro pol�tico de Goi�s, � que Marconi quer voltar a governar nosso estado n�o para fazer um governo �revolucion�rio avatariano� como diz Al�rio em seu conto. E sim por um capricho pessoal, apenas por um simples motivo.  Alcides n�o deixou Marconi mandar em seu governo e agora o tucano quer voltar pra dizer que � ele, quem d� as cartas e manda no Estado de Goi�s.
A atitude do governador Alcides de afastar os tucanos do governo foi acertada, porque ficaria praticamente imposs�vel e invi�vel. Fazer uma administra��o respons�vel como a que o pepista vem fazendo, com quem o governador afirma ter quebrado o estado.
Faltam apenas alguns meses para elei��o, e o povo goiano pede encarecidamente para o senador Marconi n�o trazer o Nerso da Capitinga para administrar o estado de novo. Porque nas duas vezes que o povo votou no Nerso, quem administrou o estado n�o foi o Avatar, o �Cara� e sim o �revolucion�rio� Nerso que deixou dois presentes para os goianos: uma d�vida � curto prazo de R$ 1,2 bilh�es e um d�ficit mensal de R$ 100 milh�es como afirma o atual governo. 

Artigo publicado hoje no Di�rio da Manh�

Quarta-feira, Mar�o 10, 2010

Indeciso, Iris diz que deixar o cargo �n�o � brincadeira�

O prefeito Iris Rezende (PMDB) reafirmou ontem sua indecis�o em ser candidato ao governo do Estado nas elei��es deste ano. Em manh� de r�pida presta��o de contas na C�mara Municipal de Goi�nia, Iris disse que s� quem vive o momento em que ele est� vivendo � que sabe a responsabilidade e a dificuldade em tomar uma decis�o. �Isso n�o � brincadeira�, afirmou. O prefeito lembrou sua segunda conquista � administra��o da prefeitura, em 2008, quando foi reeleito com 75% dos votos e reiterou o discurso j� conhecido: �Preciso sentir essa cidade com mais intensidade. Quero fazer as coisas de acordo com o sentimento do povo. Ali�s, se tem algu�m a quem eu devo obedi�ncia, esse algu�m � o povo.�
Questionado sobre as causas de um poss�vel recuo a esta altura do campeonato, Iris respondeu que nunca afirmou que seria candidato a governador. O prefeito advertiu que h� tempos segue dizendo que o partido est� debru�ado sobre a quest�o da candidatura pr�pria, que est� discutindo nomes e buscando alian�as, e citou, inclusive, a pol�mica candidatura do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. �O meu nome est� sendo discutido, mas j� se discutiram outros, como o de Meirelles, por exemplo�, lembrou. O peemedebista admitiu, no entanto, que, de todos, ele � a pessoa que tem mais dificuldade em tomar decis�es e justificou. �Tenho um compromisso com Goi�nia. De forma que n�o posso, em hip�tese alguma, tomar uma atitude como essa sem pensar, repensar, pensar e repensar de novo.�
O prefeito disse ainda que tem at� o final do m�s para decidir se fica � frente do Executivo Municipal ou se renuncia ao cargo de prefeito e oficializa candidatura. �As expectativas t�m aumentado, pelo povo e pelos concorrentes, a preocupa��o por parte dos partidos tamb�m tem crescido por causa do momento de decis�o que se aproxima, o que � natural. Mas eu tenho alguns dias para decidir se fico (na prefeitura) ou se represento o meu partido e os demais aliados.�
O pr�prio j� reiterou a vontade de disputar o governo v�rias vezes nos �ltimos anos. Neste m�s, mais ainda. Disse que n�o vai para junto de Deus sem antes limpar sua imagem com os jovens, atualmente deturpada, segundo ele. Afirmou que no Executivo Estadual pode fazer, em um ano, trabalhos que demoraria 10 anos para fazer na prefeitura, entre muitas outras coisas. No entanto, h� que se considerar que v�rias s�o as d�vidas que povoam os pensamentos de Iris. O pr�prio posicionamento do prefeito, nas �ltimas semanas, demonstra isso. 
Outro fator que preocupa o prefeito � deixar o comando da prefeitura nas m�os do PT. Apesar de serem parceiros de longas datas, o PMDB tem as suas preocupa��es quanto ao rumo da administra��o do Pa�o Municipal. N�o � � toa que  Iris teria pedido ao vice-prefeito, Paulo Garcia (PT), que segurasse alguns cargos at� outubro. As mudan�as seriam feitas em comum acordo pelos dois. Paulo Garcia teria ainda dado a palavra de que o restante da estrutura da administra��o n�o seria modificado.

INTERRUP��ES
Ainda nessa onda de d�vidas, h� a preocupa��o, por parte do prefeito, de ficar conhecido como o pol�tico que n�o termina mandato. De acordo com Iris, seus advers�rios estariam ligando essa atitude a ele. Isso, segundo o prefeito, porque o peemedebista deixou o governo do Estado, em 1985, quando era governador, para ser ministro da Agricultura, e depois, em 1993, quando tamb�m era governador, para ser candidato ao Senado. �Na primeira vez, deixei o cargo porque ocupar o minist�rio seria uma oportunidade praticamente �nica, � �poca, para Goi�s tomar assento na mesa das decis�es nacionais e valeu muito a pena�, justifica. Iris disse ainda que quando renunciou da segunda vez, para ser senador, continuaram falando que ele n�o conclu�a mandato. �Por isso tenho que contar at� 10 antes de tomar uma posi��o, para evitar coment�rios do tipo.�
Para somar a todos esses contratempos, existe tamb�m a preocupa��o com a sa�de de Iris, por parte da fam�lia. O prefeito tem 76 anos e a disputa por um cargo eleitoral requer desgaste f�sico e psicol�gico, al�m de dedica��o quase que 24 horas por dia, e esfor�o para participar de debates, encontros, passeatas, com�cios, entre outros. No final do ano passado, passou por cirurgia no intestino.

Para Valdi, �indecis�o� faz parte da estrat�gia eleitoral
As declara��es do prefeito Iris Rezende sugerindo poss�vel desist�ncia de concorrer ao pleito de outubro n�o t�m preocupado os petistas. Ao DM, o presidente estadual do PT, Valdi Camarcio, disse que o partido tem convic��o de que Iris � o candidato. Ele reitera que o prefeito h� tempos se colocou a disposi��o do PMDB e do PT. �N�o h� nenhum clima de insatisfa��o no partido quanto a isso. Estamos certos de que Iris ir� oficializar sua decis�o em poucos dias.�
Valdi acrescentou que cada pol�tico tem o seu m�todo de trabalho, e que o PT respeita �o estilo de Iris de caminhar para a formaliza��o da candidatura�. �Cada pessoa tem uma forma de trabalhar. Ele tem de administrar tudo e, at� o final de mar�o, ele anuncia. � nisso que a gente acredita�, afirmou. Questionado pelo plano B, Valdi n�o quis se pronunciar, pois, segundo ele, o recuo de Iris n�o foi cogitado pelo partido.
Por telefone, a ex-deputada federal e secret�ria municipal do Desenvolvimento Econ�mico (Sedem), Neyde Aparecida, disse que o partido espera, com tranquilidade, at� o dia 2 de abril, data em que Iris tem de desincompatibilizar. A secret�ria lembrou, todavia, que o prefeito em nenhum momento confirmou que seria candidato. �Ele demonstrou disposi��o para ser o nome. Todavia, estamos tranquilos. O PT j� oficializou o apoio ao PMDB e at� l� (prazo final) vamos aguardar a posi��o de Iris.� 
De acordo com Neyde, caso Iris realmente desista, o PT tem duas alternativas: sentar com o PMDB para conversar e decidir se apoia outro nome colocado pelo partido ou ent�o lan�ar um candidato pr�prio, que poderia ser o deputado federal Rubens Otoni (PT), que ali�s tem cumprido agenda de pr�-candidato. �Mas acredito que essa possibilidade (de desist�ncia) � muito distante.� 
Pelas conversas com petistas, parece que a indecis�o de Iris est� mais para alcan�ar algum objetivo camuflado, do que para recuo, de fato. E os objetivos podem ser v�rios: apoio de lideran�as de peso, como do governador Alcides, entre outras, seguran�a por parte do PT nacional e estadual, de que n�o sairia perdendo, enfim, estrat�gias para uma disputa que promete ainda muitas surpresas at� outubro.

DE SA�DA
Questionada sobre sua candidatura, Neyde Aparecida disse que ela ainda n�o est� definida e que isso deve acontecer somente ap�s o fechamento de alian�as entre o PT e os demais partidos parceiros. A secret�ria tamb�m afirmou estar em d�vida quanto � vaga a qual ir� concorrer. �Ainda n�o sei se � deputada estadual ou federal. Mas a tend�ncia � que seja deputada estadual�, afirma.
Entre os demais secret�rios municipais que dever�o deixar seus postos at� maio, para concorrerem a uma vaga no pleito deste ano, est�o Euler Morais, do Turismo; L�vio Luciano, da Comunica��o; Mauro Miranda, da Habita��o e governo, e Wagner Siqueira, da Comurg.

�Aposentadoria� precipitaria disputa pelo comando do PMDB
A eventual perman�ncia do prefeito Iris Rezende no cargo at� o final do mandato seria interpretada, no PMDB, como a antecipa��o do seu pedido de aposentadoria. Aliados do prefeito acreditam que esta seria a �ltima grande participa��o de Iris em elei��es e que o prefeito n�o ter� condi��es de disputar cargos majorit�rios no futuro.
At� essa semana, as principais correntes do PMDB acreditavam que o prefeito era o candidato certo do partido ao Pal�cio das Esmeraldas, e, em nome da perspectiva de poder  que Iris representa, adiavam o confronto direto pelo comando da legenda no cen�rio p�s-Iris. Hoje, h� aliados que j� reconhecem a possibilidade de o prefeito se aposentar. E a�, como fica o PMDB?
Pouco se avan�ou na prepara��o de nomes para substituir Iris. A principal estrela da nova gera��o de peemedebistas � o deputado estadual Thiago Peixoto, que, apesar de promissor, teria pouco tempo para preparar sua candidatura e fazer frente ao poderoso capital eleitoral do senador Marconi Perillo (PSDB). 
Thiago n�o � unanimidade no PMDB. Al�m de enfrentar resist�ncia das bancadas estadual e federal do partido, enfrenta ainda a forte oposi��o de um bloco liderado pelo deputado estadual Samuel Belchior, seu contempor�neo.
Em outra frente, o presidente regional do partido, Adib Elias, aposta no bom tr�nsito junto a prefeitos para se fazer herdeiro do esp�lio de Iris. Mas Adib enfrenta reconhecida dificuldade para ampliar sua popularidade, restrita � regi�o de Catal�o. 
N�o h� quem consiga unir o partido como Iris. Caso opte por ficar de fora da disputa, abre-se um debate interno que, todos acreditavam, s� deveria ocorrer oito ou talvez dez anos depois.

Os poss�veis cen�rios sem Iris
Caso desista da candidatura ao governo, prefeito de Goi�nia altera o quadro pol�tico do Estado e zera negocia��o entre siglas
PT lan�a candidato pr�prio
Ap�s a reuni�o em que declarou apoio formal ao PMDB, o PT condicionou a alian�a � escolha do prefeito Iris Rezende como candidato ao governo. Trocando em mi�dos: a eventual desist�ncia de Iris zera a negocia��o entre os dois partidos. Ao mesmo tempo, este fato  impulsionaria a candidatura do deputado federal Rubens Otoni, que desde muito tempo se coloca como plano B da base de sustenta��o do presidente Lula - principalmente depois que Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, saiu do p�reo. E n�o restam d�vidas: Otoni exigir� o apoio do PMDB.
PMDB prepara plano B
Desde que Henrique Meirelles sepultou seus planos de disputar o governo nestas elei��es, o PMDB se tornou ref�m da candidatura de Iris. A princ�pio, n�o resta outro nome no PMDB que consiga fazer frente ao capital eleitoral do senador Marconi Perillo (PSDB). Caso Iris decida permanecer na prefeitura at� o final do seu mandato, o partido ter� tr�s op��es: apoiar o candidato da Nova Frente, o candidato do PT (provavelmente Rubens Otoni) ou preparar um nome pr�prio, que poderia ser o presidente do diret�rio regional Adib Elias ou o deputado estadual Thiago Peixoto.
PMDB fecha apoio a Vanderlan
A candidatura do prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PR), ganha f�lego diante da hipot�tica desist�ncia de Iris em disputar o governo. Dono de um estilo de gest�o eficiente e de um �timo tr�nsito com o governador Alcides Rodrigues (PP) e com o PMDB irista, Vanderlan pode significar a uni�o de for�as pol�ticas que hoje n�o est�o formalmente alian�adas. A principal dificuldade residiria em convencer parcela significativa do PMDB, que exige candidatura pr�pria, e o PT, que est� decidido a caminhar com Rubens Otoni caso Iris abandone a disputa.
O que estaria por tr�s da indecis�o de Iris
Fator J�nio Quadros
Dentro do PT, � un�nime a avalia��o de que o prefeito adotou estrat�gia imortalizada pelo ex-presidente J�nio Quadros. Em 1959, J�nio amea�ou sair de cena com o objetivo de comover aliados e for��-los a ungi-lo como for�a pol�tica inconteste. Iris desejaria, desta forma, refor�ar o apelo por alian�a ao governador Alcides Rodrigues. Em tempo: com J�nio, a estrat�gia n�o deu certo. J�nio levou a amea�a adiante, renunciou � presid�ncia, mas n�o foram busc�-lo de volta.
Resist�ncia da fam�lia
Especula-se que seja a fam�lia o principal n�cleo de press�o contr�rio � candidatura de Iris ao governo. Filhas estariam preocupadas com a sa�de do prefeito, que completou 76 anos em dezembro. Aliados do prefeito teriam externado essa preocupa��o em um encontro com a Executiva regional do PT. Em tempo: o prefeito operou o intestino no final do ano passado, mas Iris j� conseguiu eliminar questionamentos referentes � sua sa�de entre seus aliados.
Desconfian�a com PT
As partes negam, mas existe desconfian�a do PMDB com o PT. Iris quer que o governo federal avalize um acordo segundo o qual o PT goiano se comprometeria a n�o substituir as pe�as que ele, o prefeito, indicou para acomodar apadrinhados no lugar. Ali trabalham profissionais da confian�a da deputada federal Iris de Ara�jo (PMDB). O prefeito tratou do assunto com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas ainda quer ouvir o presidente Lula.
Campanha custar� caro
A estimativa inflacionada de custos para a elei��o deste ano estaria por tr�s dos motivos que justificam a indecis�o de Iris. Avalia-se que a campanha para o governo de Goi�s v� custar, aos candidatos com maior perspectiva de vit�ria, cerca de R$ 50 milh�es. Dinheiro que o PMDB n�o sabe se consegue arrecadar, apesar da boa perspectiva de poder que possui. Conta a favor de Iris, neste aspecto, o prov�vel apoio do governo federal � sua candidatura.
Falta de apoio entre deputados
Iris carece de apoio na base de deputados federais do PMDB. Na bancada federal, tem o apoio irrestrito apenas da deputada Iris Ara�jo, sua esposa, al�m da simpatia de Pedro Chaves. Outros dois deputados, Marcelo Melo e Leandro Vilela, cuidam de seus mandatos independente da interlocu��o com o Pa�o. O caso de Luiz Bittencourt � ainda pior. Ele � aliado de Marconi. Por outro lado, tem bom relacionamento com maior parte da bancada estadual.
Sem Iris, estes seriam os poss�veis candidatos
Rubens Otoni (PT)
O deputado federal � convicto de que pode reunir a base do presidente Lula em Goi�s, e o seu partido deve avan�ar em sua pr�-candidatura t�o logo se confirme eventual disposi��o de Iris a permanecer no Pa�o at� o fim do mandato.
Thiago Peixoto (PMDB)
O deputado possui perfil arrojado e com potencial para liderar o partido no futuro, mas teria dificuldades para viabilizar sua candidatura a tempo de fazer frente � campanha do senador Marconi Perillo (PSDB).
Adib Elias (PMDB)
O presidente regional do PMDB enfrenta hist�rica dificuldade de transpor sua popularidade para al�m da regi�o de Catal�o, munic�pio que administrou por dois mandatos (2001-2008). Tamb�m enfrenta resist�ncia no partido.
Vanderlan Cardoso (PR)
� o coringa da vez. Ao mesmo tempo que surge na bolsa de apostas da Nova Frente, o prefeito de Senador Canedo � lembrado tamb�m para encabe�ar a chapa que reuniria PMDB-PT-PR e, quem sabe, o PP. Tem fama de bom gestor.
Mauro Miranda (PMDB)
O ex-senador e fiel aliado de Iris deixa as secretarias de Governo e Habita��o em mar�o de qualquer maneira - seja para concorrer �s elei��es, seja para coordenar a campanha de Iris. � dono da total confian�a do prefeito.

Ter�a-feira, Mar�o 02, 2010

O outro d�ficit

Na onda de denuncismo e terror que tomou conta da Assembleia Legislativa, o deputado Daniel Goulart faz um papel de Goebbels caipira, espalhando ataques contra o governo que, at� meses atr�s, ele defendia. Todo mundo sabe que Goulart est� com sua reelei��o amea�ada, principalmente se o PSDB continuar apenas com o PTB e alguns partidos nanicos, como o PPS. Mas Goulart, assim como outros colegas deputados, n�o age por conta pr�pria: acata ordens.

Em uma reuni�o no Castro�s Hotel na semana passada, a ordem foi dada: os ataques ao governo de Alcides Rodrigues deveriam ser mais fortes. A primeira a��o foi a propositura de um requerimento para instala��o de uma Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito (CPI) para supostamente investigar o d�ficit de R$ 100 milh�es por m�s herdado por Alcides, fato que ficou not�rio no atual governo, com larga divulga��o documentada. � �poca, o pagamento do funcionalismo chegou a ser amea�ado por falta de receita. A situa��o da Celg era t�o ruim que havia a amea�a de interven��o na estatal, enquanto prestadores de servi�os na �rea de sa�de conveniados ao Estado suspendiam o atendimento aos servidores e se recusavam a fornecer rem�dios ao governo.

Os primeiros passos do governo Alcides foram dados, obrigatoriamente, na dire��o da busca do equil�brio entre receitas e despesas. Por�m Alcides n�o antecipou receitas, como fez o ex-governador, e trabalhou com a realidade financeira de ent�o. Ali�s, o governador adotou a correta pr�tica de gastar apenas o que tivesse em caixa, algo bem distante das pr�ticas megaloman�acas de seu antecessor. Tr�s palavras, para mim, realmente definem a diferen�a entre as duas gest�es: desenvolvimento com responsabilidade.

Na �ltima quinta-feira, os tucanos mudaram o nome da investiga��o. Recuaram da CPI do D�ficit para �CPI do Endividamento�, e anunciaram investiga��o das finan�as no per�odo de 15 de mar�o de 1991 a 31 de dezembro de 2009. O medo de que o governo anterior fosse desnudado com a investiga��o do incontest�vel d�ficit ficou evidente na mudan�a de foco para prazo t�o longo. O fato � que a esperteza pode n�o dar certo, j� que a maioria na Assembleia � composta por parlamentares de bom car�ter e comprometidos com a verdade, e essa maioria vai trabalhar contra as tentativas de tumultuar e fazer palanque para candidato ao governo.
Eis a� a matem�tica do jogo pol�tico em curso. A que interessa. Porque a outra, que confunde conceito e mistura n�meros, at� cria frases bonitas, mas n�o fecha com a realidade. O malabarismo gramatical esconde uma ret�rica que muitos jornalistas dominam, embora no final das contas n�o permita que se chegue a dois na soma de um mais um. Nada que, enfim, n�o possa ser desmascarado quando os fatos forem colocados � mesa, na hora certa � seja numa CPI, seja numa convoca��o de autoridades do governo para falar dos n�meros (algo, ali�s, evitado em nome da necessidade do palanque eleitoreiro).

Fato curioso demonstra que a CPI do Endividamento quer apenas emba�ar: o que motivaria a sua cria��o seriam as declara��es do secret�rio da Fazenda, Jorcelino Braga, e do governador Alcides Rodrigues, sobre o d�ficit milion�rio deixado por Marconi Perillo. Ocorre, por�m, que a raz�o apontada no requerimento foi outra: �...exist�ncia de d�bito acumulado no per�odo supra citado (1991 a 2008) no valor de cem milh�es de reais, portanto fato p�blico e not�rio, gerando intranq�ilidade e incertezas quanto ao futuro das finan�as do Estado...�. Acontece que Braga e Alcides nunca falaram em �d�bito acumulado no per�odo supra citado�, e nem h� �intranquilidade e incertezas quanto ao futuro das finan�as�, j� que nos �ltimos tr�s anos a situa��o ca�tica foi regularizada.

Mas, ent�o, por que investigar outros governos, j� que em nenhum momento Alcides e Braga falaram que o d�ficit foi deixado por governos anteriores ao de Marconi Perillo? Est� claro que, longe de ter tido uma vit�ria, o PSDB saiu bastante desgastado depois que declarou guerra ao governo. Mostrou fraqueza no recuo. Por que o partido n�o encarou os dados da Secretaria da Fazenda, aprovados pela pr�pria Assembleia? Os n�meros, como sabiam os teatrais deputados marconistas, atingiriam em cheio seu mentor. E os n�meros n�o mentem, n�o � mesmo?, ainda que a matem�tica torta �s vezes os fa�am fazer curva. (N�o esque�amos: tudo a seu tempo e hora).

O desgaste dos advers�rios �  embora digam o contr�rio � do governo ficou evidenciado justamente pela CPI que criaram. Um deputado teve inclusive de retornar voando para o Legislativo para que o n�mero de assinaturas m�nimo para abertura de comiss�o fosse alcan�ado. Um n�mero longe da maioria avassaladora que anunciaram como fechada com o senador. E por que mesmo a artimanha de insistir no recurso do princ�pio da minoria, em vez de colocar o requerimento em vota��o? Porque, democraticamente, no voto, perderiam.

A verdade � que os tucanos ainda pensam que mandam no governo. Agem nas sombras, como se em uma administra��o paralela, sempre tentando inviabilizar o governo Alcides. O que h� mesmo nessa turma �, para dizer o m�nimo, d�ficit de humildade. Humildade para sentar e conversar, em vez de querer impor suas vontades e verdades absolutas.

A tend�ncia, ap�s o recuo e a furada estrat�gia de estender as investiga��es da d�vida at� 1991, apenas para tumultuar e fazer palanque, � o isolamento do PSDB na Assembleia. Falam em nome do �povo�, como se o povo fosse um patrim�nio do PSDB. Nobres senhores: o povo quer � trabalho s�rio e honesto, e certamente n�o est� interessado em tumulto e mesquinharias. CPIs como esta, a do Endividamento, de cunho eleitoreiro por excel�ncia, s� servem para gastar o dinheiro do contribuinte e satisfazer interesses pessoais.

Os deputados deveriam pensar nisso com mais seriedade. Por que n�o mostram � popula��o algo realmente interessante, como o que fez o deputado Daniel Goulart, que tentou, at� a �ltima hora, impedir que um escrit�rio de advocacia que recebeu milh�es da Celg na gest�o passada depusesse na CPI que investiga rombos na estatal? O tal escrit�rio, caro leitor, prestou servi�os sem passar por licita��o.

Artigo publicado na edi��o do dia (2) de mar�o de 2010, no jornal Di�rio da Manh�.

 

 

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