Na onda de denuncismo e terror que tomou conta da Assembleia Legislativa, o deputado Daniel Goulart faz um papel de Goebbels caipira, espalhando ataques contra o governo que, at� meses atr�s, ele defendia. Todo mundo sabe que Goulart est� com sua reelei��o amea�ada, principalmente se o PSDB continuar apenas com o PTB e alguns partidos nanicos, como o PPS. Mas Goulart, assim como outros colegas deputados, n�o age por conta pr�pria: acata ordens.
Em uma reuni�o no Castro�s Hotel na semana passada, a ordem foi dada: os ataques ao governo de Alcides Rodrigues deveriam ser mais fortes. A primeira a��o foi a propositura de um requerimento para instala��o de uma Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito (CPI) para supostamente investigar o d�ficit de R$ 100 milh�es por m�s herdado por Alcides, fato que ficou not�rio no atual governo, com larga divulga��o documentada. � �poca, o pagamento do funcionalismo chegou a ser amea�ado por falta de receita. A situa��o da Celg era t�o ruim que havia a amea�a de interven��o na estatal, enquanto prestadores de servi�os na �rea de sa�de conveniados ao Estado suspendiam o atendimento aos servidores e se recusavam a fornecer rem�dios ao governo.
Os primeiros passos do governo Alcides foram dados, obrigatoriamente, na dire��o da busca do equil�brio entre receitas e despesas. Por�m Alcides n�o antecipou receitas, como fez o ex-governador, e trabalhou com a realidade financeira de ent�o. Ali�s, o governador adotou a correta pr�tica de gastar apenas o que tivesse em caixa, algo bem distante das pr�ticas megaloman�acas de seu antecessor. Tr�s palavras, para mim, realmente definem a diferen�a entre as duas gest�es: desenvolvimento com responsabilidade.
Na �ltima quinta-feira, os tucanos mudaram o nome da investiga��o. Recuaram da CPI do D�ficit para �CPI do Endividamento�, e anunciaram investiga��o das finan�as no per�odo de 15 de mar�o de 1991 a 31 de dezembro de 2009. O medo de que o governo anterior fosse desnudado com a investiga��o do incontest�vel d�ficit ficou evidente na mudan�a de foco para prazo t�o longo. O fato � que a esperteza pode n�o dar certo, j� que a maioria na Assembleia � composta por parlamentares de bom car�ter e comprometidos com a verdade, e essa maioria vai trabalhar contra as tentativas de tumultuar e fazer palanque para candidato ao governo.
Eis a� a matem�tica do jogo pol�tico em curso. A que interessa. Porque a outra, que confunde conceito e mistura n�meros, at� cria frases bonitas, mas n�o fecha com a realidade. O malabarismo gramatical esconde uma ret�rica que muitos jornalistas dominam, embora no final das contas n�o permita que se chegue a dois na soma de um mais um. Nada que, enfim, n�o possa ser desmascarado quando os fatos forem colocados � mesa, na hora certa � seja numa CPI, seja numa convoca��o de autoridades do governo para falar dos n�meros (algo, ali�s, evitado em nome da necessidade do palanque eleitoreiro).
Fato curioso demonstra que a CPI do Endividamento quer apenas emba�ar: o que motivaria a sua cria��o seriam as declara��es do secret�rio da Fazenda, Jorcelino Braga, e do governador Alcides Rodrigues, sobre o d�ficit milion�rio deixado por Marconi Perillo. Ocorre, por�m, que a raz�o apontada no requerimento foi outra: �...exist�ncia de d�bito acumulado no per�odo supra citado (1991 a 2008) no valor de cem milh�es de reais, portanto fato p�blico e not�rio, gerando intranq�ilidade e incertezas quanto ao futuro das finan�as do Estado...�. Acontece que Braga e Alcides nunca falaram em �d�bito acumulado no per�odo supra citado�, e nem h� �intranquilidade e incertezas quanto ao futuro das finan�as�, j� que nos �ltimos tr�s anos a situa��o ca�tica foi regularizada.
Mas, ent�o, por que investigar outros governos, j� que em nenhum momento Alcides e Braga falaram que o d�ficit foi deixado por governos anteriores ao de Marconi Perillo? Est� claro que, longe de ter tido uma vit�ria, o PSDB saiu bastante desgastado depois que declarou guerra ao governo. Mostrou fraqueza no recuo. Por que o partido n�o encarou os dados da Secretaria da Fazenda, aprovados pela pr�pria Assembleia? Os n�meros, como sabiam os teatrais deputados marconistas, atingiriam em cheio seu mentor. E os n�meros n�o mentem, n�o � mesmo?, ainda que a matem�tica torta �s vezes os fa�am fazer curva. (N�o esque�amos: tudo a seu tempo e hora).
O desgaste dos advers�rios � embora digam o contr�rio � do governo ficou evidenciado justamente pela CPI que criaram. Um deputado teve inclusive de retornar voando para o Legislativo para que o n�mero de assinaturas m�nimo para abertura de comiss�o fosse alcan�ado. Um n�mero longe da maioria avassaladora que anunciaram como fechada com o senador. E por que mesmo a artimanha de insistir no recurso do princ�pio da minoria, em vez de colocar o requerimento em vota��o? Porque, democraticamente, no voto, perderiam.
A verdade � que os tucanos ainda pensam que mandam no governo. Agem nas sombras, como se em uma administra��o paralela, sempre tentando inviabilizar o governo Alcides. O que h� mesmo nessa turma �, para dizer o m�nimo, d�ficit de humildade. Humildade para sentar e conversar, em vez de querer impor suas vontades e verdades absolutas.
A tend�ncia, ap�s o recuo e a furada estrat�gia de estender as investiga��es da d�vida at� 1991, apenas para tumultuar e fazer palanque, � o isolamento do PSDB na Assembleia. Falam em nome do �povo�, como se o povo fosse um patrim�nio do PSDB. Nobres senhores: o povo quer � trabalho s�rio e honesto, e certamente n�o est� interessado em tumulto e mesquinharias. CPIs como esta, a do Endividamento, de cunho eleitoreiro por excel�ncia, s� servem para gastar o dinheiro do contribuinte e satisfazer interesses pessoais.
Os deputados deveriam pensar nisso com mais seriedade. Por que n�o mostram � popula��o algo realmente interessante, como o que fez o deputado Daniel Goulart, que tentou, at� a �ltima hora, impedir que um escrit�rio de advocacia que recebeu milh�es da Celg na gest�o passada depusesse na CPI que investiga rombos na estatal? O tal escrit�rio, caro leitor, prestou servi�os sem passar por licita��o.
Artigo publicado na edi��o do dia (2) de mar�o de 2010, no jornal Di�rio da Manh�.
Em uma reuni�o no Castro�s Hotel na semana passada, a ordem foi dada: os ataques ao governo de Alcides Rodrigues deveriam ser mais fortes. A primeira a��o foi a propositura de um requerimento para instala��o de uma Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito (CPI) para supostamente investigar o d�ficit de R$ 100 milh�es por m�s herdado por Alcides, fato que ficou not�rio no atual governo, com larga divulga��o documentada. � �poca, o pagamento do funcionalismo chegou a ser amea�ado por falta de receita. A situa��o da Celg era t�o ruim que havia a amea�a de interven��o na estatal, enquanto prestadores de servi�os na �rea de sa�de conveniados ao Estado suspendiam o atendimento aos servidores e se recusavam a fornecer rem�dios ao governo.
Os primeiros passos do governo Alcides foram dados, obrigatoriamente, na dire��o da busca do equil�brio entre receitas e despesas. Por�m Alcides n�o antecipou receitas, como fez o ex-governador, e trabalhou com a realidade financeira de ent�o. Ali�s, o governador adotou a correta pr�tica de gastar apenas o que tivesse em caixa, algo bem distante das pr�ticas megaloman�acas de seu antecessor. Tr�s palavras, para mim, realmente definem a diferen�a entre as duas gest�es: desenvolvimento com responsabilidade.
Na �ltima quinta-feira, os tucanos mudaram o nome da investiga��o. Recuaram da CPI do D�ficit para �CPI do Endividamento�, e anunciaram investiga��o das finan�as no per�odo de 15 de mar�o de 1991 a 31 de dezembro de 2009. O medo de que o governo anterior fosse desnudado com a investiga��o do incontest�vel d�ficit ficou evidente na mudan�a de foco para prazo t�o longo. O fato � que a esperteza pode n�o dar certo, j� que a maioria na Assembleia � composta por parlamentares de bom car�ter e comprometidos com a verdade, e essa maioria vai trabalhar contra as tentativas de tumultuar e fazer palanque para candidato ao governo.
Eis a� a matem�tica do jogo pol�tico em curso. A que interessa. Porque a outra, que confunde conceito e mistura n�meros, at� cria frases bonitas, mas n�o fecha com a realidade. O malabarismo gramatical esconde uma ret�rica que muitos jornalistas dominam, embora no final das contas n�o permita que se chegue a dois na soma de um mais um. Nada que, enfim, n�o possa ser desmascarado quando os fatos forem colocados � mesa, na hora certa � seja numa CPI, seja numa convoca��o de autoridades do governo para falar dos n�meros (algo, ali�s, evitado em nome da necessidade do palanque eleitoreiro).
Fato curioso demonstra que a CPI do Endividamento quer apenas emba�ar: o que motivaria a sua cria��o seriam as declara��es do secret�rio da Fazenda, Jorcelino Braga, e do governador Alcides Rodrigues, sobre o d�ficit milion�rio deixado por Marconi Perillo. Ocorre, por�m, que a raz�o apontada no requerimento foi outra: �...exist�ncia de d�bito acumulado no per�odo supra citado (1991 a 2008) no valor de cem milh�es de reais, portanto fato p�blico e not�rio, gerando intranq�ilidade e incertezas quanto ao futuro das finan�as do Estado...�. Acontece que Braga e Alcides nunca falaram em �d�bito acumulado no per�odo supra citado�, e nem h� �intranquilidade e incertezas quanto ao futuro das finan�as�, j� que nos �ltimos tr�s anos a situa��o ca�tica foi regularizada.
Mas, ent�o, por que investigar outros governos, j� que em nenhum momento Alcides e Braga falaram que o d�ficit foi deixado por governos anteriores ao de Marconi Perillo? Est� claro que, longe de ter tido uma vit�ria, o PSDB saiu bastante desgastado depois que declarou guerra ao governo. Mostrou fraqueza no recuo. Por que o partido n�o encarou os dados da Secretaria da Fazenda, aprovados pela pr�pria Assembleia? Os n�meros, como sabiam os teatrais deputados marconistas, atingiriam em cheio seu mentor. E os n�meros n�o mentem, n�o � mesmo?, ainda que a matem�tica torta �s vezes os fa�am fazer curva. (N�o esque�amos: tudo a seu tempo e hora).
O desgaste dos advers�rios � embora digam o contr�rio � do governo ficou evidenciado justamente pela CPI que criaram. Um deputado teve inclusive de retornar voando para o Legislativo para que o n�mero de assinaturas m�nimo para abertura de comiss�o fosse alcan�ado. Um n�mero longe da maioria avassaladora que anunciaram como fechada com o senador. E por que mesmo a artimanha de insistir no recurso do princ�pio da minoria, em vez de colocar o requerimento em vota��o? Porque, democraticamente, no voto, perderiam.
A verdade � que os tucanos ainda pensam que mandam no governo. Agem nas sombras, como se em uma administra��o paralela, sempre tentando inviabilizar o governo Alcides. O que h� mesmo nessa turma �, para dizer o m�nimo, d�ficit de humildade. Humildade para sentar e conversar, em vez de querer impor suas vontades e verdades absolutas.
A tend�ncia, ap�s o recuo e a furada estrat�gia de estender as investiga��es da d�vida at� 1991, apenas para tumultuar e fazer palanque, � o isolamento do PSDB na Assembleia. Falam em nome do �povo�, como se o povo fosse um patrim�nio do PSDB. Nobres senhores: o povo quer � trabalho s�rio e honesto, e certamente n�o est� interessado em tumulto e mesquinharias. CPIs como esta, a do Endividamento, de cunho eleitoreiro por excel�ncia, s� servem para gastar o dinheiro do contribuinte e satisfazer interesses pessoais.
Os deputados deveriam pensar nisso com mais seriedade. Por que n�o mostram � popula��o algo realmente interessante, como o que fez o deputado Daniel Goulart, que tentou, at� a �ltima hora, impedir que um escrit�rio de advocacia que recebeu milh�es da Celg na gest�o passada depusesse na CPI que investiga rombos na estatal? O tal escrit�rio, caro leitor, prestou servi�os sem passar por licita��o.
Artigo publicado na edi��o do dia (2) de mar�o de 2010, no jornal Di�rio da Manh�.



