Um pequeno curto circuito ocorreu novamente entre PSDB e PMDB na semana passada, o que levou o prefeito Iris Rezende e o senador Marconi Perillo a trocarem algumas acusa��es indiretas. Esses atritos, que existem desde o primeiro embate entre tucanos e peemedebistas, em 1998, v�o ficar mais intensos na medida em que as elei��es forem se aproximando, pois, a menos que ocorra um imprevisto, a disputa ser� novamente entre os dois rivais atuais da pol�tica goiana, como atestou a pesquisa Serpes/ O POPULAR, divulgada na edi��o do dia 19 de outubro.
O PSDB est� atuando em duas frentes. Ora consome parte do tempo de suas lideran�as no embate com o PP do governador Alcides Rodrigues, o que inclui defender a imagem dos dois governos tucanos em Goi�s � e em especial, a de Marconi, maior capital pol�tico do grupo �, ora no enfrentamento direto com os peemedebistas.
Na semana passada, a luta com os pepistas arrefeceu depois que ela chegou a uma intensidade tal que o pr�ximo passo, tanto de um lado como do outro, seria o rompimento. Como esse passo n�o interessa a nenhuma das duas partes, por v�rios motivos os quais n�o cabe agora avaliar, houve uma distens�o, abrindo espa�o para os tucanos atuarem na outra arena, a do enfrentamento com o PMDB.
O troca-troca de cutuc�es entre os dois principais l�deres partid�rios apresenta um aperitivo do que dever� ocorrer no debate eleitoral de 2010. Aparentemente, ser� mais do mesmo, isto �, uma repeti��o dos argumentos de ambos os lados nas �ltimas tr�s campanhas que o eleitor goiano j� conhece de cor.
PSDB e PMDB sabem, contudo, que v�o precisar sofisticar sua argumenta��o, n�o apenas para chamar a aten��o do eleitor, que poder� se mostrar cansado do mesmo discurso de anos seguidos, como porque a decis�o de uma elei��o leva em conta as circunst�ncias de cada momento, fatos conjecturais e at� emocionais.
Numa disputa t�o acirrada como promete ser a de 2010, esses fatores devem ser levados em conta, pois poder�o fazer a diferen�a na hora da decis�o final. Assim a pergunta que ambos os partidos deveriam estar se fazendo �: com que discurso eu vou para a elei��o?
Em 1982, em sua primeira disputa para governador, Iris Rezende apresentou-se como representante na luta contra a ditadura militar, respaldado ainda pela mem�ria que os goianos guardavam de sua administra��o �revolucion�ria�, segundo suas palavras, na Prefeitura de Goi�nia (1966�1969).
Na segunda disputa, em 1990, o Estado passava por grave crise pol�tica e administrativa, no final do mandato do governador Henrique Santillo, possibilitando a Iris se candidatar para tirar o Estado da paralisia em que se encontrava. Em 1998, Iris fez sua primeira campanha como candidato situacionista e perdeu. Apegou-se ao hist�rico do PMDB em suas duas administra��es e no governo de Maguito Vilela, mas n�o convenceu o eleitor de optar pela continuidade.
O hist�rico eleitoral de Marconi tamb�m revela varia��es no discurso pol�tico-eleitoral. Ele se apresentou como o tempo novo da pol�tica goiana e, apesar de boa parte de seus aliados serem tradicionais na pol�tica estadual, convenceu o eleitor de que era novo em rela��o aos 16 anos de governos peemedebistas. Em 2002, ele j� n�o era mais mudan�a, mas continuidade e o eleitorado decidiu prorrogar por mais quatro anos seu mandato. Em 2006, a mesma id�ia de continuidade prevaleceu, elegendo Alcides para governador e Marconi para senador com aproximadamente 2 milh�es de votos.
Nesses 12 anos que separam o primeiro embate entre Marconi e Iris do pleito de 2010, alguns fatos pol�ticos mudaram substancialmente a rela��o dos partidos com a sociedade e, consequentemente, a vis�o do eleitorado sobre as lideran�as partid�rias. Entre eles, destaque para as duas elei��es de Iris para prefeito de Goi�nia (2004 e 2008) e o governo de Alcides.
� frente da Prefeitura, Iris teve a oportunidade de recompor sua imagem, desconstru�da nas elei��es de 1998 e de 2002. J� o governo Alcides conseguiu o que nem o mais antimarconista dos peemedebistas alcan�ou, arranhar a imagem de Marconi de bom administrador e de pol�tico com responsabilidade com os gastos p�blicos.
A disputa de 2010 acontecer� neste contexto, portanto, ser� bem diferente dos embates anteriores. Iris j� deu mostras de que continuar� defendendo o mesmo discurso de disputas passadas, o de que o PMDB � o partido que mais investe em infraestrutura no Estado. Confia que essa id�ia ter� liga com as expectativas do eleitor, que ele identifica como carente de obras, e, tamb�m, que se beneficiar� da compara��o que agora ser� poss�vel fazer entre o que os peemedebistas e os tucanos fizeram em seus governos.
No embate di�rio, como o que ocorreu na semana passada, o PSDB mant�m-se firme no discurso de que representa a vis�o de um Estado moderno, que busca o futuro por meio de a��es de promo��o do desenvolvimento econ�mico e de investimento em programas sociais, que os tucanos consideram o legado dos governos marconistas, contra a vis�o tradicionalista que atribuiu aos advers�rios peemedebistas. Falta aqui uma liga no discurso tucano com a nova realidade pol�tica do Estado, fruto da combina��o da recupera��o da imagem de Iris com o arranh�o na imagem de Marconi.
O PMDB j� fez sua aposta, e, pelo que mostra a pesquisa, parece que esse discurso irista pega em Goi�nia e em seu entorno. Resta saber se ele se estender� a todo Estado. J� os tucanos ainda tateiam em busca de um discurso adequado. A id�ia de uma gest�o modernizadora pode ser atraente para o segmento formador de opini�o p�blica, mas � pouco convincente para a massa de eleitores. O embate interno com o PP roubou tempo e energia do PSDB para pensar no futuro.
Cileide Alves
O PSDB est� atuando em duas frentes. Ora consome parte do tempo de suas lideran�as no embate com o PP do governador Alcides Rodrigues, o que inclui defender a imagem dos dois governos tucanos em Goi�s � e em especial, a de Marconi, maior capital pol�tico do grupo �, ora no enfrentamento direto com os peemedebistas.
Na semana passada, a luta com os pepistas arrefeceu depois que ela chegou a uma intensidade tal que o pr�ximo passo, tanto de um lado como do outro, seria o rompimento. Como esse passo n�o interessa a nenhuma das duas partes, por v�rios motivos os quais n�o cabe agora avaliar, houve uma distens�o, abrindo espa�o para os tucanos atuarem na outra arena, a do enfrentamento com o PMDB.
O troca-troca de cutuc�es entre os dois principais l�deres partid�rios apresenta um aperitivo do que dever� ocorrer no debate eleitoral de 2010. Aparentemente, ser� mais do mesmo, isto �, uma repeti��o dos argumentos de ambos os lados nas �ltimas tr�s campanhas que o eleitor goiano j� conhece de cor.
PSDB e PMDB sabem, contudo, que v�o precisar sofisticar sua argumenta��o, n�o apenas para chamar a aten��o do eleitor, que poder� se mostrar cansado do mesmo discurso de anos seguidos, como porque a decis�o de uma elei��o leva em conta as circunst�ncias de cada momento, fatos conjecturais e at� emocionais.
Numa disputa t�o acirrada como promete ser a de 2010, esses fatores devem ser levados em conta, pois poder�o fazer a diferen�a na hora da decis�o final. Assim a pergunta que ambos os partidos deveriam estar se fazendo �: com que discurso eu vou para a elei��o?
Em 1982, em sua primeira disputa para governador, Iris Rezende apresentou-se como representante na luta contra a ditadura militar, respaldado ainda pela mem�ria que os goianos guardavam de sua administra��o �revolucion�ria�, segundo suas palavras, na Prefeitura de Goi�nia (1966�1969).
Na segunda disputa, em 1990, o Estado passava por grave crise pol�tica e administrativa, no final do mandato do governador Henrique Santillo, possibilitando a Iris se candidatar para tirar o Estado da paralisia em que se encontrava. Em 1998, Iris fez sua primeira campanha como candidato situacionista e perdeu. Apegou-se ao hist�rico do PMDB em suas duas administra��es e no governo de Maguito Vilela, mas n�o convenceu o eleitor de optar pela continuidade.
O hist�rico eleitoral de Marconi tamb�m revela varia��es no discurso pol�tico-eleitoral. Ele se apresentou como o tempo novo da pol�tica goiana e, apesar de boa parte de seus aliados serem tradicionais na pol�tica estadual, convenceu o eleitor de que era novo em rela��o aos 16 anos de governos peemedebistas. Em 2002, ele j� n�o era mais mudan�a, mas continuidade e o eleitorado decidiu prorrogar por mais quatro anos seu mandato. Em 2006, a mesma id�ia de continuidade prevaleceu, elegendo Alcides para governador e Marconi para senador com aproximadamente 2 milh�es de votos.
Nesses 12 anos que separam o primeiro embate entre Marconi e Iris do pleito de 2010, alguns fatos pol�ticos mudaram substancialmente a rela��o dos partidos com a sociedade e, consequentemente, a vis�o do eleitorado sobre as lideran�as partid�rias. Entre eles, destaque para as duas elei��es de Iris para prefeito de Goi�nia (2004 e 2008) e o governo de Alcides.
� frente da Prefeitura, Iris teve a oportunidade de recompor sua imagem, desconstru�da nas elei��es de 1998 e de 2002. J� o governo Alcides conseguiu o que nem o mais antimarconista dos peemedebistas alcan�ou, arranhar a imagem de Marconi de bom administrador e de pol�tico com responsabilidade com os gastos p�blicos.
A disputa de 2010 acontecer� neste contexto, portanto, ser� bem diferente dos embates anteriores. Iris j� deu mostras de que continuar� defendendo o mesmo discurso de disputas passadas, o de que o PMDB � o partido que mais investe em infraestrutura no Estado. Confia que essa id�ia ter� liga com as expectativas do eleitor, que ele identifica como carente de obras, e, tamb�m, que se beneficiar� da compara��o que agora ser� poss�vel fazer entre o que os peemedebistas e os tucanos fizeram em seus governos.
No embate di�rio, como o que ocorreu na semana passada, o PSDB mant�m-se firme no discurso de que representa a vis�o de um Estado moderno, que busca o futuro por meio de a��es de promo��o do desenvolvimento econ�mico e de investimento em programas sociais, que os tucanos consideram o legado dos governos marconistas, contra a vis�o tradicionalista que atribuiu aos advers�rios peemedebistas. Falta aqui uma liga no discurso tucano com a nova realidade pol�tica do Estado, fruto da combina��o da recupera��o da imagem de Iris com o arranh�o na imagem de Marconi.
O PMDB j� fez sua aposta, e, pelo que mostra a pesquisa, parece que esse discurso irista pega em Goi�nia e em seu entorno. Resta saber se ele se estender� a todo Estado. J� os tucanos ainda tateiam em busca de um discurso adequado. A id�ia de uma gest�o modernizadora pode ser atraente para o segmento formador de opini�o p�blica, mas � pouco convincente para a massa de eleitores. O embate interno com o PP roubou tempo e energia do PSDB para pensar no futuro.
Cileide Alves


