H� uma unanimidade sobre a visita do presidente Luiz In�cio Lula da Silva quinta-feira a An�polis e depois a Goi�nia. Ele desagradou gregos e troianos. Entre seus aliados, PMDB e o pr�prio PT s�o os mais contrariados. O senador Marconi Perillo se queixa dos ataques recebidos do presidente. At� mesmo o governador Alcides Rodrigues e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, os �nicos que ganharam com a performance de Lula, mantiveram-se cautelosos � afinal, t�m d�vidas sobre o presente que receberam.
Lula desagradou PMDB e PT n�o apenas por ter enaltecido em tr�s oportunidades seguidas (entrevista e dois discursos) as qualidades de Meirelles, mas por ter desconhecido o prefeito Iris Rezende, deixando-o numa saia-justa, j� que foi um dos anfitri�es que mais se empenharam na organiza��o da festa para o presidente.
Os mais contrariados entenderam que Lula declarou prefer�ncia pela candidatura de Meirelles, j� os moderados, que ele apenas �inseriu� o presidente do Banco Central no tabuleiro da sucess�o. Em uma coisa todos concordam: o presidente errou no tom e, mesmo que sua inten��o tenha sido apenas a inser��o de Meirelles, ele foi deselegante com o PMDB e, com isso, embaralhou o processo pol�tico, que vinha sendo costurado por petistas, peemedebistas e governistas.
Lula passou como um trator sobre o PT de Goi�s. Desconheceu todos os petistas goianos, � exce��o do deputado Pedro Wilson, citado apenas quando ele lembrou que foi o parlamentar quem o apresentou a Meirelles. Nem sequer mencionou o deputado Rubens Otoni, que assumiu o papel de interlocutor entre o governo federal e o estadual, no palanque em An�polis, sua principal base eleitoral. Lula fragilizou os petistas goianos por demonstrar n�o ter com eles nenhuma proximidade.
A arrog�ncia e o desrespeito de Lula com as inst�ncias partid�rias n�o s�o uma novidade. H� muito ele confunde seus pr�prios interesses com os do PT, mas ultimamente tem ficado ainda mais � vontade no desempenho desse papel de dono do partido, atitude alimentada certamente pelo excesso de confian�a adquirido com sua alta popularidade.
Ap�s o susto da semana passada, PMDB e PT tentam entender o que aconteceu para recompor o quadro pol�tico anterior � visita de Lula. A primeira provid�ncia ser� renovar os votos de confian�a entre os dois partidos, agora profundamente abalada. V�rios petistas refor�aram o compromisso priorit�rio com o PMDB e destacaram que a primeira parte do projeto de constru��o do eixo lulista em Goi�s � afastar o PP do PSDB � j� se confirmou. Se h� uma coisa positiva para peemedebistas e petistas nessa visita foi que ela confirmou o isolamento pol�tico de Marconi.
Agora n�o h� mais d�vida de que Meirelles est� no p�reo, mas prevalece a incerteza sobre sua candidatura. Primeiro por sua apertada agenda como presidente do Banco Central, que o afasta de reuni�es pol�ticas. Lula deu-lhe um empurr�o, mas n�o far� milagres. Meirelles ter� de ter compet�ncia pol�tica para articular uma chapa competitiva, pois este avisou que ele s� dever� ser candidato �pra ganhar�. Sua filia��o ao PMDB parece improv�vel, pois o partido j� tem dono.
Meirelles deve ter aprendido com a experi�ncia de 2002 o custo pol�tico de se filiar a um partido com fortes lideran�as. Na �poca, nem o presidente Fernando Henrique Cardoso nem o governador Marconi Perillo conseguiram cumprir a promessa de que ele seria o candidato tucano a senador de Goi�s.
Hoje, independentemente do prest�gio do presidente do Banco Central, o PMDB do senador Renan Calheiros e do deputado Michel Temer n�o vai lhe entregar de m�o beijada a vaga de vice-presidente numa eventual chapa com Dilma Rousseff. Em Goi�s, o PMDB � Iris Rezende, e a atitude de Lula serviu para unir o partido em torno de seu nome. Fora do PMDB, que j� garantiu que ter� candidato pr�prio, sobra a Meirelles o PP de Alcides ou o PR. Nessa hip�tese haveria duas chapas pelo grupo lulista em Goi�s, uma com PMDB e PT e outra com PP e aliados.
Com o grupo dividido em duas chapas, Meirelles n�o conseguir� formar uma �alian�a capaz de garantir, para ele, a vit�ria�, j� que �n�o pode ser candidato para perder as elei��es�, segundo as palavras de Lula. Talvez por isso o PP de Alcides, maior defensor da candidatura de Meirelles, evitou comemorar vit�ria com a declara��o de Lula na semana passada. Afinal, como construir uma chapa suficientemente forte para n�o perder a elei��o sem o PMDB? Lula jogou sobre as costas de Alcides e do pr�prio Meirelles a responsabilidade de viabilizar essa chapa forte, o que pode ser um peso muito grande para sustentarem sozinhos.
O presidente conseguiu o que queria, afastar Alcides de Marconi. J� sabe que conta com pelo menos dois palanques para Dilma em Goi�s, por isso foi embora sem o menor peso de consci�ncia com o estrago que provocou por aqui. Goi�s � um Estado sem for�a pol�tica no cen�rio nacional e os problemas que criou s�o pequenos para mobilizar as dire��es nacionais do PT e do PMDB para articular uma rea��o por l�. Lula deixou o pepino nas m�os de Alcides, de Meirelles, de Iris, de Rubens, de Pedro Wilson. Eles � que ter�o de reconstruir o que sobrou da visita de quinta-feira. T�m apenas um conforto: a situa��o de Marconi, o advers�rio comum, n�o � mais confort�vel.
Cileide Alves
Lula desagradou PMDB e PT n�o apenas por ter enaltecido em tr�s oportunidades seguidas (entrevista e dois discursos) as qualidades de Meirelles, mas por ter desconhecido o prefeito Iris Rezende, deixando-o numa saia-justa, j� que foi um dos anfitri�es que mais se empenharam na organiza��o da festa para o presidente.
Os mais contrariados entenderam que Lula declarou prefer�ncia pela candidatura de Meirelles, j� os moderados, que ele apenas �inseriu� o presidente do Banco Central no tabuleiro da sucess�o. Em uma coisa todos concordam: o presidente errou no tom e, mesmo que sua inten��o tenha sido apenas a inser��o de Meirelles, ele foi deselegante com o PMDB e, com isso, embaralhou o processo pol�tico, que vinha sendo costurado por petistas, peemedebistas e governistas.
Lula passou como um trator sobre o PT de Goi�s. Desconheceu todos os petistas goianos, � exce��o do deputado Pedro Wilson, citado apenas quando ele lembrou que foi o parlamentar quem o apresentou a Meirelles. Nem sequer mencionou o deputado Rubens Otoni, que assumiu o papel de interlocutor entre o governo federal e o estadual, no palanque em An�polis, sua principal base eleitoral. Lula fragilizou os petistas goianos por demonstrar n�o ter com eles nenhuma proximidade.
A arrog�ncia e o desrespeito de Lula com as inst�ncias partid�rias n�o s�o uma novidade. H� muito ele confunde seus pr�prios interesses com os do PT, mas ultimamente tem ficado ainda mais � vontade no desempenho desse papel de dono do partido, atitude alimentada certamente pelo excesso de confian�a adquirido com sua alta popularidade.
Ap�s o susto da semana passada, PMDB e PT tentam entender o que aconteceu para recompor o quadro pol�tico anterior � visita de Lula. A primeira provid�ncia ser� renovar os votos de confian�a entre os dois partidos, agora profundamente abalada. V�rios petistas refor�aram o compromisso priorit�rio com o PMDB e destacaram que a primeira parte do projeto de constru��o do eixo lulista em Goi�s � afastar o PP do PSDB � j� se confirmou. Se h� uma coisa positiva para peemedebistas e petistas nessa visita foi que ela confirmou o isolamento pol�tico de Marconi.
Agora n�o h� mais d�vida de que Meirelles est� no p�reo, mas prevalece a incerteza sobre sua candidatura. Primeiro por sua apertada agenda como presidente do Banco Central, que o afasta de reuni�es pol�ticas. Lula deu-lhe um empurr�o, mas n�o far� milagres. Meirelles ter� de ter compet�ncia pol�tica para articular uma chapa competitiva, pois este avisou que ele s� dever� ser candidato �pra ganhar�. Sua filia��o ao PMDB parece improv�vel, pois o partido j� tem dono.
Meirelles deve ter aprendido com a experi�ncia de 2002 o custo pol�tico de se filiar a um partido com fortes lideran�as. Na �poca, nem o presidente Fernando Henrique Cardoso nem o governador Marconi Perillo conseguiram cumprir a promessa de que ele seria o candidato tucano a senador de Goi�s.
Hoje, independentemente do prest�gio do presidente do Banco Central, o PMDB do senador Renan Calheiros e do deputado Michel Temer n�o vai lhe entregar de m�o beijada a vaga de vice-presidente numa eventual chapa com Dilma Rousseff. Em Goi�s, o PMDB � Iris Rezende, e a atitude de Lula serviu para unir o partido em torno de seu nome. Fora do PMDB, que j� garantiu que ter� candidato pr�prio, sobra a Meirelles o PP de Alcides ou o PR. Nessa hip�tese haveria duas chapas pelo grupo lulista em Goi�s, uma com PMDB e PT e outra com PP e aliados.
Com o grupo dividido em duas chapas, Meirelles n�o conseguir� formar uma �alian�a capaz de garantir, para ele, a vit�ria�, j� que �n�o pode ser candidato para perder as elei��es�, segundo as palavras de Lula. Talvez por isso o PP de Alcides, maior defensor da candidatura de Meirelles, evitou comemorar vit�ria com a declara��o de Lula na semana passada. Afinal, como construir uma chapa suficientemente forte para n�o perder a elei��o sem o PMDB? Lula jogou sobre as costas de Alcides e do pr�prio Meirelles a responsabilidade de viabilizar essa chapa forte, o que pode ser um peso muito grande para sustentarem sozinhos.
O presidente conseguiu o que queria, afastar Alcides de Marconi. J� sabe que conta com pelo menos dois palanques para Dilma em Goi�s, por isso foi embora sem o menor peso de consci�ncia com o estrago que provocou por aqui. Goi�s � um Estado sem for�a pol�tica no cen�rio nacional e os problemas que criou s�o pequenos para mobilizar as dire��es nacionais do PT e do PMDB para articular uma rea��o por l�. Lula deixou o pepino nas m�os de Alcides, de Meirelles, de Iris, de Rubens, de Pedro Wilson. Eles � que ter�o de reconstruir o que sobrou da visita de quinta-feira. T�m apenas um conforto: a situa��o de Marconi, o advers�rio comum, n�o � mais confort�vel.
Cileide Alves



