Falta de a��o, incompet�ncia administrativa, inexperi�ncia, projeto fraco, a n�o exist�ncia de um forte interlocutor, falta de motiva��o, al�m de v�rios outros motivos, levaram � derrocada goiana. Um insucesso que, repito, vai custar muito para os goianienses a longo prazo.
Veja os principais erros do Comit� Executivo da Copa 2014 em Goi�nia (Coexgyn) e envolvidos:
1. Projeto desastroso � N�o precisava ser perito para perceber que havia algo errado no projeto do Serra Dourada para 2014. Desde o primeiro dia, o modesto plano de obras foi criticado justamente. A principal gafe foi n�o prever a cobertura total dos assentos do est�dio (pelo projeto original 15% das arquibancadas n�o seriam cobertas). Fico imaginando um jogo de Copa do Mundo, est�dio lotado, e 15% do p�blico tomando chuva. O absurdo foi t�o grande que dias antes do an�ncio das sedes foi feita uma corre��o no projeto. Uma vergonha! O plano de a��o do Serra Dourada estava mais para uma grande maquiagem do que adequa��o para a disputa de uma Copa do Mundo.
2. Equipe sem experi�ncia � Os 'cabe�as' da Coexgyn, comandada pelo presidente da Agetur, Barbosa Neto (PSB), n�o tinham a m�nima experi�ncia de como tocar um projeto rumo a algo t�o audacioso como sediar jogos da Copa 2014. Tudo foi feito com muito amadorismo. O projeto, por exemplo, foi mandato � CBF no limite do prazo e via Correios. Uma l�stima.
3. Governo sem a��es � O governo do Estado fez muito pouco para ver Goi�nia como uma das sedes da Copa 2014. Tirando a participa��o em alguns eventos e o apoio verbal do Pal�cio das Esmeraldas � Coexgyn, nada mais foi feito. Informa��es apontam para dificuldades de capta��o de recursos e falta de investimentos do governo na postula��o da cidade. Uma participa��o quase zero se comparada, por exemplo, com a do Mato Grosso, onde o governador Blairo Maggi foi o grande articulador pol�tico da candidatura de Cuiab�.
4. Slogan de derrota � A frase �Eu acredito!� � conhecido nacionalmente no meio futebol�stico como a cren�a em um milagre. Muito usado quando um time chega na �ltima rodada precisando vencer e tendo que torcer por mais tr�s ou quatro resultados para n�o ser rebaixado. N�o era esta a situa��o de Goi�nia. Quando o Brasil foi confirmado como sede da Copa de 2014, a capital de Goi�s era uma das favoritas. A Coexgyn transformou Goi�nia de "favorita" em "a espera de um milagre".
5. �Gol contra� da marca � A marca de Goi�nia 2014, �A Copa no cora��o do Brasil�, jogou contra a candidatura da cidade. Isto porque a localiza��o geogr�fica era algo que deveria ser minimizada, j� que havia, como houve, preju�zos em rela��o a proximidade com Bras�lia. Enquanto outras cidades arrumaram marcas �nicas, como Manaus, Bel�m e Rio Branco, que disputaram para ser a cidade sede da Amaz�nia, Cuiab� e Campo Grande, que duelaram para ser a representante pantaneira na Copa, Goi�nia apostou em uma marca que concorria com a capital federal, confirmada como cidade sede desde o primeiro dia em que a Fifa concedeu ao Brasil o direito de organizar a Copa 2014. At� mesmo Natal conseguiu uma marca melhor, �A capital brasileira mais pr�xima da Europa�. A Coexgyn tinha que ter sido criativa e puxado para Goi�nia a marca do Cerrado, cidade Country, agroneg�cio, ou qualquer outra coisa que fugisse do confronto com Bras�lia.
6. A falta de tr�nsito da FGF na CBF � N�o me lembro em que ano, mas a �ltima vez que o Brasil concorreu para sediar uma Copa, o presidente da CBF Ricardo Teixeira veio a Goi�nia e confirmou que a cidade seria sede, no caso de sucesso da postula��o nacional. N�o foi daquela vez, mas a afirma��o traduzia muito bem a amizade de Teixeira com o ex-presidente da Federa��o Goiana de Futebol, Wilson da Silveira. Ap�s a morte de Silveira, o vice Andr� Pitta assumiu a federa��o e as rela��es com a CBF nunca mais foram as mesmas. Tanto que esta pode ser a primeira vez, em muito tempo, que Goi�nia n�o sediar� um jogo da sele��o nas eliminat�rias.
7. Falta de eventos � A organiza��o de Goi�nia-2014 foi a mais discreta de todas as outras 16 candidatas. Nada foi feito nesta reta final para divulgar o trabalho e as qualidades da capital para ser escolhida como sede. A maior parte dos goianienses at� mesmo se esqueceu que Goi�nia estava realmente concorrendo a uma das 12 vagas. Al�m disto, os tr�s fortes padrinhos da cidade, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o ex-treinador de Brasil e Portugal, Luiz Felipe Scolari, e o ex-presidente da FIFA, Jo�o Havelange, n�o foram requisitados hora nenhuma. Divulgaram o apoio, e nada mais.
8. Divulga��o prec�ria � A Coexgyn informou v�rias vezes que apresentou mais de 200 projetos de melhorias da infraestrutura de Goi�nia, no caso do sucesso da candidatura. Hora alguma, por�m, se empenhou para a divulga��o dos mesmos. A popula��o de Goi�nia pouco foi informada e, com isto, n�o se mobilizou em favor da cidade. Camisetas e faixas tamb�m foram raras na capital, inclusive no dia no an�ncio. Pode parecer pouca coisa, mas uma cidade mobilizada pode fazer milagres.
9. Sem apoio pol�tico � A pol�tica goiana passa por uma das melhores fases em toda a hist�ria. Temos o vice-presidente do Senado, os l�deres de PTB, PR e DEM na C�mara Federal, o relator da reforma tribut�ria, al�m de fortes interlocutores junto ao presidente Lula. Nada disto foi usado para que a for�a pol�tica da cidade nos bastidores crescesse, o que certamente faria a diferen�a.
10. O mal uso da proximidade com Bras�lia - O Brasil inteiro entendeu a mensagem transmitida por concorrentes de Goi�nia, de que a cidade n�o poderia sediar a Copa por causa da proximidade com Bras�lia (cerca de 210 km). Goi�nia, por sua vez, n�o se importou em buscar um ant�doto para tal. Deveria contratacar com uma campanha maci�a de argumentos, destacando a import�ncia de um eixo Goi�nia-Bras�lia na Copa. Uma das sa�das seria se aliar com a capital federal, j� que Bras�lia tamb�m teria mais for�a (para conseguir o jogo de abertura, por exemplo) se Goi�nia fosse sede. A dist�ncia pequena entre duas sedes n�o � fator decisivo, tanto que Natal e Recife, duas cidades eleitas, est�o separadas por cerca de 290 km.
11. Clima de derrota antes da hora � J� fazia alguns meses que as pessoas envolvidas no projeto Goi�nia 2014, a Coexgyn e as administra��es municipal e estadual, haviam entregado os pontos. �A gente � obrigado a acreditar�, foi o que me disse um pol�tico do alto escal�o municipal quando questionei as chances da cidade, no in�cio de maio, apontando para um broxe da campanha que ele usava na ocasi�o. Nos meios de comunica��o todos discursavam com o tom otimista. Com as c�maras e gravadores desligados a descren�a era geral.




