
Para os governos, bons tempos aqueles onde o presidente do Senado ou da C�mara, diante do pedido de cria��o de uma CPI com o n�mero de assinaturas necess�rias, podia arquiv�-lo a qualquer pretexto.
Um dia o Supremo Tribunal Federal decidiu: CPI � direito da minoria. Satisfeitas as exig�ncias para ser criada, ela deve funcionar de imediato.
Uma penca de motivos conspirou para que a oposi��o derrotasse o governo na batalha pela cria��o da CPI da Petrobr�s, destinada a investigar poss�veis podres da empresa detectados pelo Minist�rio P�blico e o Tribunal de Contas da Uni�o.
Jos� Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, n�o v� a hora de outro assunto atrair o interesse da m�dia ocupada h� tr�s meses em expor esc�ndalos protagonizados por seus pares.
Romero Juc� (PMDB-RR), l�der do governo no Senado, ainda n�o engoliu a demiss�o do irm�o e da cunhada antes alojados na Infraero. Fez um discurso col�rico contra o ministro Nelson Jobim, da Defesa.
Ouviu como resposta que suas cr�ticas eram �irrelevantes�. Juc� n�o mexeu um dedinho para evitar a derrota do governo. N�o deu um telefonema para pedir a ningu�m que retirasse a assinatura do requerimento de cria��o da CPI.
Gedel Vieira Lima, ministro da Integra��o Nacional e cabe�a coroada do PMDB, celebrou em rigoroso sil�ncio o �xito da oposi��o. Jos� S�rgio Gabrielli, presidente da Petrobr�s e baiano como ele, � nome forte para concorrer a uma vaga no Senado em 2010.
Gedel sonha em tomar o lugar do governador Jaques Wagner (PT). Mas n�o descarta a hip�tese de se compor com Wagner e sair candidato ao Senado. Gabrielli s� o atrapalha.
Renan Calheiros (PMDB-AL) manteve-se distante do empenho da oposi��o em recolher assinaturas para instalar a CPI e do esfor�o de �ltima hora do governo em reduzir o n�mero de assinaturas.
Para n�o ser apontado como omisso, no in�cio da noite da �ltima sexta-feira telefonou para um dos l�deres da oposi��o: �E a�, como est�o as coisas?� O tal l�der respondeu: �As coisas est�o bem�. A conversa foi curta. Renan nada pediu.
Est�o frias as rela��es de Renan com o governo e o PT desde que ele escapou de ser cassado pelo uso de um lobista de empreiteira para pagar despesas de uma ex-amante.
O PT votou a favor da absolvi��o dele. Em troca, Renan foi obrigado a renunciar � presid�ncia do Senado. Em fevereiro passado, para aborrecimento de Lula, Renan elegeu Sarney presidente contra Ti�o Viana, candidato do PT e do PSDB.
Nada mais favor�vel a um partido predador como o PMDB do que um governo carente de sua ajuda para chegar a bom termo.
Sem um PMDB compacto ao seu lado, Lula jamais conseguir� eleger Dilma Rousseff presidente. E basta que o PMDB do Senado fa�a um pouco de corpo mole para que a CPI da Petrobr�s provoque uma forte dor de cabe�a em Lula e, de quebra, na pr�pria Dilma.
No escurinho dos gabinetes do PMDB s�o poucos no momento os que ainda apostam suas fichas na elei��o de Dilma. Nada a ver com a sa�de dela.
A maioria simplesmente acredita mais nas chances de uma chapa presidencial encabe�ada pelo governador Jos� Serra e tendo o governador A�cio Neves como vice. Acha que essa chapa sair� do forno at� o fim do ano. E que quando sair n�o haver� mais para ningu�m.
At� l�, o melhor neg�cio para o PMDB � garantir �a governabilidade�, mantendo os cargos que tem e ganhando outros.
Haver� de tirar vantagem dos nomes de que disp�e para disputar governos estaduais e vagas no Senado. A composi��o com o PT ser� dif�cil em v�rios Estados.
A for�a de atra��o do PSDB reside paradoxalmente em sua fraqueza: tem poucos nomes fortes para os governos e o Senado.
Nem por isso o futuro reserva ao PMDB uma alian�a formal com o PSDB. O mais razo�vel � que ele nem v� com Dilma nem com Serra para poder, aqui e ali, ir com um e com o outro de acordo com suas conveni�ncias.
Caso queira governar, qualquer um que ven�a governar� com o PMDB.


