Artigo publica na �ltima sexta-feira (21) no jornal Di�rio da Manh�
Nos dias atuais, em que impera o individualismo, somos surpreendidos pelo trabalho de irm� Margarida (85). Uma religiosa radicada em Goi�nia, com 1,40m e 47quilos, que d� um verdadeiro tapa na cara da sociedade por atuar sem hipocrisia na defesa de um mundo que a mesma sociedade ignora e segrega. Seu rosto cansado pelas marcas do tempo evidencia mais de 73 anos dedicados a pessoas renegadas pelo destino ou pela l�gica perversa do capital. Religiosa que fugiu ao controle da Igreja Cat�lica, rompendo normas em defesa da caridade. �L� vai a freira estrambelhada�, referindo-se ao tratamento dado a ela por setores conservadores da Igreja, quando a mesma partia para sua jornada junto a moradores de rua, prostitutas e presidi�rios.
Com sua voz cansada, ela logo se entusiasma quando cita seus 54 filhos, para irm� Margarida, sua maior conquista. Na d�cada de 1980, a religiosa abrigou e foi respons�vel pela cria��o e educa��o de 54 crian�as, que hoje s�o pessoas bem-sucedidas em suas respectivas vidas. A noite cai quando um dos trabalhos de irm� Margarida � iniciado, juntamente com um grupo da Casa de Apoio Lar de Jesus, percorrendo as ruas na madrugada gelada de Goi�nia, fornecendo sopa ao grande n�mero de moradores de rua da Capital.
�J� morei em um prost�bulo�, afirma a religiosa. Ao fazer refer�ncia ao trabalho desenvolvido junto �s prostitutas, de acordo com ela, em certo momento, o caminho mais f�cil para levar um conforto espiritual para cinco prostitutas foi morar com elas. �Hoje, minhas filhas est�o fora daquela vida�, informou a religiosa. Durante suas visitas aos prost�bulos na madrugada, ela diz que suas filhas (tratamento dado por ela �s profissionais do sexo) s� atendem os volunt�rios depois que a religiosa � vista. Para ela, existe uma rela��o de confian�a. �Quando chego, uma olha de longe com olhar assustado e diz para outras: �Podem vir, � a nossa m�ezinha!��, disse a freira, com um sorriso largo no rosto.
Outra �rea de atua��o acontece junto aos presidi�rios no Cepaigo, a quem a religiosa faz um alerta. Segundo a freira, todo trabalho feito pelos presidi�rios no per�odo em que est�o cumprindo pena � remunerado pelo Estado. Quando saem em liberdade, os mesmos n�o procuram a Caixa para sacar a quantia. �H� mais de 1.500 contas na Caixa Econ�mica Federal com dep�sitos em nomes dos presos.� Resolvi publicar esses relatos da religiosa pelos seguintes motivos: primeiro, com o intuito de mostrar como as pessoas podem romper qualquer barreira em nome da caridade e levar um pouco de alento a quem necessita. Segundo, porque foi uma sensa��o �nica presenciar o sorriso da freira relatando com prazer os 73 anos de caridade feitos por ela em Goi�nia. E terceiro, ao ver a religiosa dedicar toda uma vida a uma jornada em nome do amor ao pr�ximo, sinto que a melhor homenagem para irm� Margarida seria ajudarmos uns aos outros sem pedir nada em troca.
Nos dias atuais, em que impera o individualismo, somos surpreendidos pelo trabalho de irm� Margarida (85). Uma religiosa radicada em Goi�nia, com 1,40m e 47quilos, que d� um verdadeiro tapa na cara da sociedade por atuar sem hipocrisia na defesa de um mundo que a mesma sociedade ignora e segrega. Seu rosto cansado pelas marcas do tempo evidencia mais de 73 anos dedicados a pessoas renegadas pelo destino ou pela l�gica perversa do capital. Religiosa que fugiu ao controle da Igreja Cat�lica, rompendo normas em defesa da caridade. �L� vai a freira estrambelhada�, referindo-se ao tratamento dado a ela por setores conservadores da Igreja, quando a mesma partia para sua jornada junto a moradores de rua, prostitutas e presidi�rios.
Com sua voz cansada, ela logo se entusiasma quando cita seus 54 filhos, para irm� Margarida, sua maior conquista. Na d�cada de 1980, a religiosa abrigou e foi respons�vel pela cria��o e educa��o de 54 crian�as, que hoje s�o pessoas bem-sucedidas em suas respectivas vidas. A noite cai quando um dos trabalhos de irm� Margarida � iniciado, juntamente com um grupo da Casa de Apoio Lar de Jesus, percorrendo as ruas na madrugada gelada de Goi�nia, fornecendo sopa ao grande n�mero de moradores de rua da Capital.
�J� morei em um prost�bulo�, afirma a religiosa. Ao fazer refer�ncia ao trabalho desenvolvido junto �s prostitutas, de acordo com ela, em certo momento, o caminho mais f�cil para levar um conforto espiritual para cinco prostitutas foi morar com elas. �Hoje, minhas filhas est�o fora daquela vida�, informou a religiosa. Durante suas visitas aos prost�bulos na madrugada, ela diz que suas filhas (tratamento dado por ela �s profissionais do sexo) s� atendem os volunt�rios depois que a religiosa � vista. Para ela, existe uma rela��o de confian�a. �Quando chego, uma olha de longe com olhar assustado e diz para outras: �Podem vir, � a nossa m�ezinha!��, disse a freira, com um sorriso largo no rosto.
Outra �rea de atua��o acontece junto aos presidi�rios no Cepaigo, a quem a religiosa faz um alerta. Segundo a freira, todo trabalho feito pelos presidi�rios no per�odo em que est�o cumprindo pena � remunerado pelo Estado. Quando saem em liberdade, os mesmos n�o procuram a Caixa para sacar a quantia. �H� mais de 1.500 contas na Caixa Econ�mica Federal com dep�sitos em nomes dos presos.� Resolvi publicar esses relatos da religiosa pelos seguintes motivos: primeiro, com o intuito de mostrar como as pessoas podem romper qualquer barreira em nome da caridade e levar um pouco de alento a quem necessita. Segundo, porque foi uma sensa��o �nica presenciar o sorriso da freira relatando com prazer os 73 anos de caridade feitos por ela em Goi�nia. E terceiro, ao ver a religiosa dedicar toda uma vida a uma jornada em nome do amor ao pr�ximo, sinto que a melhor homenagem para irm� Margarida seria ajudarmos uns aos outros sem pedir nada em troca.


